domingo, 7 de junho de 2009

VILA BOA DO MONDEGO - O RIO MONDEGO -Anos 50/60

O facto de o Rio Mondego deslizar tão próximo da nossa aldeia teve influência na sua denominação quando, por volta dos anos cinquenta, foi decidido alterar o nome de Jejua para Vila Boa do Mondego. É certo que alguns de nós ainda não tínhamos nascido mas, mais tarde, apercebemo-nos de que a mudança se impunha porque ninguém gostava daquele nome que não se ajustava à gente da nossa terra. Foi, segundo ouvíamos contar, fruto da desilusão de um militar francês que, preparando-se para saquear a aldeia, na época denominada Vila Boa, nada encontrou pois os habitantes utilizaram a estratégia de esconder os mantimentos antes de abandonarem as suas casas. Independentemente destas duas designações, a verdade é que nascemos em Vila Boa do Mondego e crescemos a ver o Rio Mondego que ainda corre nas nossas lembranças…
No Verão era o local predilecto para desfrutar da frescura das suas águas e da sombra dos freixos e amieiros. Bom a valer era quando nos deixavam tomar banho, sempre sob vigilância, porque éramos pequenos, não sabíamos nadar e havia sítios profundos. Os rapazes da nossa idade tinham mais sorte; escapavam-se, banhavam-se e apanhavam bogas que iam enfiando num junco até perfazerem uma fiada de peixes. Também as raparigas, nas tardes de Domingo, davam o seu passeio ao Rio. Porém, não tomavam banho para não se exporem a olhares curiosos. Para tal, de vez em quando, à tardinha, reuniam-se e, discretamente, dirigiam-se ao sítio do Penedo onde despiam a roupa e, em calças (roupa de dentro) e combinação, tomavam um banho completo que só ali era possível. É evidente que, nestas situações, havia sempre alguém atento e, certa vez, um grupo de rapazes mais dados a maroteiras, foram no seu encalço e esconderam-lhes a roupa que, na margem, tinham deixado amontoada. Contavam, depois, que se fartaram de rir ao vê-las a fugir, a escorrer, a esconderem-se nos milheirais …
Também no pino do Verão se procedia à limpeza total da roupa da cama. Para o Rio se transportavam, à cabeça ou em burros, os lençóis amarelados que nem tinham sido utilizados, os cobertores, as mantas de farrapos e a enxerga (espécie de saco com abertura ao meio) esvaziada para receber palha nova. Na água corrente se metiam, se estendiam no areal, se esfregavam com sabão e se deixavam a corar ao sol do Estio radioso. Entretanto, e como havia sempre várias mulheres que, entre si, se ajudavam dado o peso das peças, aproveitavam para conversar, comer o farnel e deixar secar as saias que, inevitavelmente, tinham molhado. Seguidamente, depois de retirado o sabão, era preciso torcer tudo o melhor possível para facilitar a subida até à encosta onde as giestas e os carvalhos serviam de estendal.

Nós, que só teoricamente sabíamos da existência de praias, pensávamos que eram assim: água, sol e areia!...